Cachorros e bicicletas

É incrível como o tempo passa e nós ficamos sempre com uma parte de nós presos a ele. Lembro-me de ser criança e fascinada por cachorros andando de bicicleta num circo; o primeiro circo que frequentei na vida, uma de minhas primeiras memórias; tinha dois anos.
Naquele momento parecia que tudo que importava era pensar na tamanha complexidade daquele ato logo a minha frente, pensar assim, só por pensar, somente com imagem e inocência, sem formular pensamentos em frases devidamente feitas.
Eu estava deslumbrada com o que via, tenho certeza que meus olhos brilhavam. Hoje lembro da criança dos cabelinhos louros enrolados e me pergunto o que ela acharia de mim hoje (clichê, não é mesmo?). Se eu pudesse ouvir uma represália daquela criança, com certeza seria à respeito de minhas quase nulas frequências ao circo. Ela me perguntaria o que faço de minha vida e sei que se eu não lhe contasse algo que fizesse seus olhos brilharem, receberia um grande olhar de desaprovação.
O apego e a memória àquela criança me acompanha dia vai, dia vem, sempre que penso em começar algo novo, nem que seja um novo dia. Hoje, de uma forma mais profunda e cheia de significado, decidi que, a partir de hoje, eu terei pelo menos um cachorro andando de bicicleta durante o meu dia; não interessa que dia seja: olhar para algo que me faz sentir aquela criança de novo fará o meu dia valer a pena.
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